O filho está no quarto e os pais na sala. De repente, ambos os celulares começam a receber notificações de uma conversa entre si. A distância entre eles era de apenas um cômodo. Parece uma situação comum, certo?! E infelizmente é. Essa é uma realidade frequente no país, cuja a comunicação familiar tornou-se “assunto para outra hora”.

Assim como os pais, muitos filhos também esquecem que a comunicação é uma via de mão dupla e não funciona de forma robótica. Por isso, preparamos um artigo completo para que todos os problemas sejam compreendidos e sobretudo, resolvidos. Bora começar! 

Os três pilares da comunicação humana 

Entender a comunicação familiar fica bem mais fácil quando entendemos a comunicação humana em sua essência, e é aí que entra o estudo realizado em 1960 por Albert Mehrabian. Segundo o professor da University of California, a comunicação humana segue em alguns contextos a chamada “Regra 7-38-55”.

Em suma, a pesquisa busca entender o poder das palavras, do tom de voz e da linguagem corporal na comunicação. Na teoria, Mehrabian afirma que a existência de uma inconsistência entre o verbal e o não verbal tende a levar o ouvinte para uma maior absorção do não verbal. Entretanto, Mehrabian conclui que a regra não se aplica a todas as situações ou contextos do cotidiano.

Tratando-se do universo familiar, tais dados são de extrema importância, visto que, muitas vezes as crianças e adolescentes ainda estão em diferentes níveis de habilidade comunicacional. Juntamente a isso, existem outros variados elementos que influenciarão nessa compreensão, como a própria personalidade do indivíduo.

Qual a importância da boa comunicação familiar?

Se por um lado a boa comunicação é a garantia de um ambiente harmonioso, por outro lado a falta dela restringe relações e destrói as vivências familiares. É fundamental lembrar que, além de ser a premissa para a convivência humana, a comunicação é um dos principais elementos formadores do indivíduo. 

Quando o assunto são as crianças e adolescentes, existem alguns dados importantes que exigem atenção:

5 dicas de oratória para colocar em prática nesse ambiente

Resultado de fatores como a falta de escuta ativa e a adoção do silêncio como um padrão de relacionamento, a má comunicação familiar pode ser trabalhada por meio das técnicas de oratória . Além de aliadas no meio profissional, elas também são cruciais para o bom desenvolvimento da vida pessoal.

Pratique a escuta ativa

Não, esse tópico não diz respeito a apenas ouvir em silêncio e não dizer nada, muito pelo contrário. A escuta ativa consiste exatamente na demonstração de interesse pelo que o outro está falando, evitando qualquer tipo de julgamento. Aqui, é necessário uma vontade genuína para entender a realidade apresentada pelo outro.

Vamos para o exemplo prático da falta de escuta ativa em uma família. Imagine que você é pai de um adolescente de 14 anos que acaba de iniciar um projeto que sempre desejou. Ao finalizar, ele decide compartilhar com você um pouco do que estava sentindo naquele dia específico. Você, um(a) pai/mãe ocupado(a), acaba apenas acenando com a cabeça enquanto mexe em seu celular. Logo após isso, seu filho se levanta e desiste de falar.

Percebeu o quão complicada a situação se tornou? Isso ocorre diariamente em todos os níveis das relações familiares.

Estabeleça Rapport

Um dos princípios fundamentais das boas relações, o Rapport tem tradução livre para “relação” e consiste na criação de uma ligação de empatia com outra pessoa. Em linhas gerais, o Rapport é construído por meio da consideração e respeito de tudo que é dito pelo outro, suspendendo todo e qualquer julgamento que possa surgir. 

Estudado na Programação Neurolinguística (PNL), o Rapport também é uma estratégia implantada em diversas áreas profissionais. Colocá-la em prática pode parecer complexo, mas podemos garantir que é exatamente o oposto que acontece. Dentre as maneiras de praticá-lo, há o espelhamento, ou seja, uma estratégia que envolve simplesmente a “cópia” de determinados aspectos do comportamento do outro indivíduo, como as palavras utilizadas, gestos, expressões etc.

Tenha sempre em mente que para qualquer indivíduo (principalmente na família) é mais fácil se identificar e confiar em algo ou alguém que reflete sua própria personalidade. Afinal, Afinal, quem não gosta de se relacionar com pessoas com quem se identificam de alguma maneira?

Agora, bora para o exemplo. Imagine que você acabou de chegar em casa depois de um dia cheio de trabalho e está ansioso(a) para compartilhar isso com seu companheiro(a). Entretanto, ao colocar os pés em casa, já notou que essa pessoa está em um clima totalmente diferente do seu, com um semblante fechado e introspectivo.

Explore os metamodelos da PNL

Metamodelo. Parece até nome de algum novo experimento, não é mesmo?! Brincadeiras à parte, o metamodelo é uma ferramenta da Programação Neurolinguística (PNL) que busca expandir três pontos que podem ocorrer em uma conversação, sendo eles: generalização, omissão e distorção.

Agora você deve estar se perguntando “Ok, mas o que eu faço depois de saber o que são essas 3 variáveis?”. Simples. É a partir da identificação de pelo menos uma delas que você consegue entender melhor uma pessoa. Esse processo de compreensão ocorre por meio de perguntas, contudo, o “por que” nunca é utilizado. O motivo disso é que normalmente o “por que” só induz a justificativa, mas nunca à exploração de novos pensamentos por parte da outra pessoa. Vamos à prática: 

Tipo de metamodelo Frase Perguntas que podem ser feitas
Generalização “Ninguém nessa casa gosta das coisas que eu faço”. Quem não gosta? Como você sabe disso?
Omissão “Meu/minha companheiro(a) ignorou o meu chamado para assistir televisão”. O que quer dizer com ignorou? Ela/ele estava fazendo algo durante o convite?  
Distorção “Meus pais são muito incompreensíveis”. Qual foi a proposta quê você fez para eles? Comparado a que? Como gostaria que eles agissem?


Exercite o contato visual

Parece bobo, mas é exatamente na comunicação familiar que o contato visual passa mais despercebido, afinal, sempre “relaxamos” quando estamos em família. Todavia, esse ambiente deve cultivar esse contato tanto quanto um ambiente profissional, visto que, além de conseguir identificar as reações, o olho no olho também é fundamental para que muitas pessoas se sintam mais seguras e confiantes a respeito de uma informação.

Antes de irmos para o exemplo, temos uma pergunta: você já parou para pensar no porquê fazer contato visual é tido como uma tarefa difícil? Segundo estudo desenvolvido na Universidade de Kyoto, olhar nos olhos de outra pessoa durante uma conversa torna-se uma tarefa difícil devido à sobrecarga causada no cérebro. Isso ocorre pois ao focar no olhar, o cérebro encontra dificuldades de pensar nas palavras certas.

Agora sim. Nada melhor para entender a teoria do que por meio de um exemplo, então bora. Pense em um cenário no horário de jantar. Sua família se reúne na mesa para a refeição e TODOS os membros (incluindo você) optam por mexer no celular. Resultado? Todos apenas comendo e existindo no mesmo local, mas é como se cada um estivesse em sua própria bolha. 

Dica extra sobre contato visual

Segundo estudos, os seres humanos podem controlar até 30% das ações da face inferior (nariz, bochechas e boca). Enquanto que na face superior esse número é ainda menor. Tal fato comprova a fonte majoritária de expressões genuínas, ou seja, totalmente verdadeiras que acontecem na face superior (região dos olhos e testa). Em uma conversa, é fundamental que você saiba detectar quais sentimentos estão presentes na outra pessoa, por isso preparamos para você esse checklist de sentimento/sua forma de detecção.

Sentimento Como detectar?
 Raiva Ocorre uma contração no meio das sobrancelhas e olhos.
 Tristeza Perda do tônus em todos os músculos faciais, em que testa e olhos denotam abatimento.
 Medo As sobrancelhas se erguem juntamente com as pálpebras inferiores e superiores. Além disso, os olhos ficam fixamente arregalados.
 Surpresa Os olhos ficam levemente arregalados em um curto período de tempo (isso acontece pois a surpresa é sempre seguida de outra emoção).
Felicidade Inexistência de tensão na testa e formação dos famosos pés de galinha (contração da região dos olhos).

Fontes: Whats The Face Reveals (Paul Ekman | Erika L. Rosenberg) | Executing Facial Control During Decepction Situations (Carolyn M. Hurley | Mark G Frank)


Entenda e explore os mapas mentais

Diariamente somos expostos a inúmeros acontecimentos externos comuns. O que é frequentemente esquecido é que cada indivíduo possui sua própria maneira de receber e filtrar tais informações. Mas você deve estar se perguntando: “O que isso tem a ver com a comunicação da minha família? É simples. Todo esse processo de recebimento e filtragem de informações resulta em diferentes emoções e reações.

A grande questão de tudo isso são os “filtros” utilizados por cada pessoa, afinal, são eles que movem todo o restante do processo. O resultado dessa filtragem consiste nos “mapas mentais ou mapas de realidade”, ou seja, as representações de cada pessoa a respeito do mundo, construído a partir de suas percepções/experiências individuais.

 

Partindo do ponto de que os mapas mentais são formados por interpretações, eles jamais poderiam ser compartilhados ou iguais, afinal, cada indivíduo possui características, vivências e valores diferentes. A utilização dos cinco sentidos humanos, ou seja, visão, audição, tato, olfato e paladar, permite uma percepção única para cada um. A partir daí, tais “resultados” são combinados e comparados com toda a bagagem de vida e buscam dar significado a algo.

Não esqueça: visões diferentes não são erradas. Elas foram construídas com base em outras experiências.

Dica bônus

Para complementar todas as dicas e exercícios do artigo, separamos alguns outros materiais sobre comunicação familiar de insights e experiências. Olha só!

Ted Talk: Como a falha de comunicação acontece (e como evitá-la) | Katherine Hampsten

Palestrante, autora e professora com foco na comunicação organizacional, otimização do trabalho e vida pessoal, Katherine Hampsten explica os motivos para as frequentes falhas comunicacionais, mas também dá dicas para a minimização desse problema.

 

Ted Talk: O que adultos podem aprender com as crianças | Adora Svitak

Filha de imigrantes chineses, Adora foi a participante mais jovem a palestrar nos eventos do TED Talks em 2010, com 12 anos. Apaixonada por inspirar outras crianças, a jovem acredita que a leitura e a capacidade de escrever bem abrem as portas da imaginação e da educação. Além disso, ressalta que crianças e jovens podem e devem ser incluídos nos diferentes processos de aprendizagem.

Apaixonada por inspirar outras crianças, a jovem acredita que a leitura e a capacidade de escrever bem abrem as portas da imaginação e da educação. Além disso, ressalta que crianças e jovens podem e devem ser incluídos nos diferentes processos de aprendizagem.

 

Manual completo de oratória

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