Durante a infância somos expostos a inúmeros estímulos e cenários, que podem, ou não, facilitar o desenvolvimento de toda a comunicação e oratória. Seja de maneira verbal ou não verbal, estamos sempre nos comunicando com o mundo.

Com o passar do tempo, é comum que algumas habilidades sejam amadurecidas com mais facilidade, e outras com menos. Diferentes situações geram diferentes experiências, como é o caso do desenvolvimento do medo de falar em público, que comumente é resultante das memórias construídas pelo indivíduo durante a sua vida, com destaque para os traumas da infância. 

Entender tais dificuldades é o primeiro passo para que tais estigmas sejam destruídos, principalmente quando falamos do aperfeiçoamento da oratória infantil. Nesse momento da vida estamos suscetíveis a aprender tudo sobre quaisquer coisas. Como isso acontece? Preparamos esse conteúdo para que você entenda! 

E não teria outra forma de começar a não ser entendendo o real significado de oratória. Confira!

Janelas de oportunidade: entenda o primeiro contato com a oratória

Segundo estudos americanos, as Janelas de Oportunidades consistem em todas as chances que a criança tem para se desenvolver, especialmente nos aspectos: sensorial, motor, cognitivo, emocional e social. Ou seja, tais fases impactam diretamente no desdobramento de todo o potencial comunicativo.

De acordo com tal abordagem da neurociência, uma criança tem muito mais facilidade de aprender a patinar, por exemplo, do que um adulto. Isso porque à medida que crescemos é natural perdermos aos poucos a “plasticidade cerebral”. É importante salientar que as “Janelas de Oportunidades” acontecem de maneira gradativa, agindo aos 11 anos de idade, como mostrado na tabela abaixo:

Funções Faixa etária de desenvolvimento
Visão 0 – 6 anos
Controle Emocional  9 meses – 6 anos
Formas comuns de reação  6 meses – 6 anos
Símbolos  18 meses – 6 anos 
Linguagem  9 meses – 8 anos
Habilidades Sociais  4 anos – 8 anos
Quantidades relativas  5 anos – 8 anos 
Música 4 anos- 11 anos 
Segundo idioma 18 meses – 11 anos

NEUROCIÊNCIA DOS SEIS PRIMEIROS ANOS: Implicações educacionais  – Amauri Betini Bartoszeck, Flavio Kulevicz Bartoszeck


Os três pilares da comunicação humana 

Segundo estudo realizado em 1960 por Albert Mehrabian, professor da University of California, a comunicação humana segue em alguns contextos a chamada “Regra 7-38-55”.

Em suma, o estudo aborda o poder das palavras, do tom de voz e das expressões faciais (linguagem corporal) na comunicação humana. Na teoria, Mehrabian afirma que a existência de uma inconsistência entre o verbal e o não verbal, tende a levar o ouvinte para uma maior absorção do não verbal. Entretanto, o professor conclui que a regra não se aplica a todas as situações ou contextos do cotidiano.

Pilares da oratória

Tratando-se do universo infantil, tais dados são de extrema importância, visto que, o nível da habilidade comunicacional irá variar de acordo com a idade da criança. Juntamente a isso, existem outros variados elementos que influenciarão nessa compreensão, como, a própria personalidade da criança. 

Agora que você já entendeu um que oratória é muito mais do que falar bem, elaboramos 2 atividades que podem ser praticadas com as crianças a fim de trabalhar todo o processo comunicacional. Vamos lá?

Trava-línguas para treinar a dicção

Considerada uma forma divertida e desafiadora de treinar oratória, o trava-língua traz consigo uma série de benefícios tanto para a criança, quanto para o restante da família que praticá-lo. 

Formado por um jogo de palavras com sílabas e sons bastante parecidos, que quanto mais rapidamente pronunciados, mais desafiam a fala, os trava-línguas são utilizados até mesmo por profissionais de diversas áreas, como, vendedores e políticos. 

Além de divertir, os trava-línguas são fundamentais para o desenvolvimento da dicção. Contribuindo para a compreensão do que está sendo dito, a dinâmica também trabalha a construção de uma boa pronúncia e coesão, elementos cruciais que aumentam credibilidade e confiança.

Lembre-se de sempre influenciar as crianças e adolescentes a exercitarem constantemente esse elemento, atentando-se para a movimentação da boca, que deve permitir uma longa pronúncia das vogais. 

#Treino1: É hora da dicção

INDICAÇÕES 

Idade: Livre;

Material: Trava-línguas;

Tempo: 1 à 2 minutos para cada trava-língua.

Reúna a família e escolha quais serão os trava-línguas da brincadeira, considerando a idade dos participantes. Cada pessoa sorteará um trava-línguas e se apresentará com a pronúncia mais rápida possível. A cada trava-línguas vencido sem trocar letras ou gaguejar, o desafiante pode passar para outro trava-línguas. Se vacilar na pronúncia, passará a vez ao próximo participante que continuará no mesmo trava língua que travou o participante anterior.

Essa dinâmica desafia pessoas de idades variadas e trabalha todos os músculos envolvidos no processo de fala e pronúncia, os quais serão aprimoradas. É uma maneira bastante lúdica de praticar um elemento da oratória e enriquecer o vocabulário das crianças, e ao repetirem sons parecidos de maneira rápida, vai sendo destravada a pronúncia e assimilação das sílabas parecidas.

 

Nível 1 Nível 2 Nível 3
Se cada um vai a casa de cada um.

é porque cada um quer que cada um vá lá.

Porque se cada um não fosse a casa de cada um.

é porque cada um não queria que cada um fosse lá.

Pedreiro da catedral, está aqui o padre Pedro?

– Qual padre Pedro?

– O padre Pedro Pires Pisco Pascoal.

– Aqui na catedral tem três padres Pedros.

Pires Piscos Pascoais como em outras catedrais.

Não confunda ornitorrinco,

Com otorrinolaringologista,

Ornitorrinco com ornitologista,

Ornitologista com otorrinolaringologista,

Porque ornitorrinco é ornitorrinco,

Ornitologista, é ornitologista,

E otorrinolaringologista é otorrinolaringologista.

Agora é hora de trabalhar a comunicação não verbal. Vamos lá?

Nosso corpo fala mesmo quando a palavra cala

Como mostramos no início deste conteúdo, a linguagem corporal, muitas vezes, pode ser mais importante que a verbal. Isso pode ser justificado desde o próprio desenvolvimento da comunicação humana, visto que durante os primeiros anos de vida todos nós nos comunicávamos sem o uso de palavras, utilizando apenas gestos e sons

Com o passar do tempo isso se manteve, mas com objetivos e maneiras diferentes, que podem implicar na proximidade, profundidade e qualidade dos relacionamentos. Considerando que nosso desenvolvimento da linguagem falada e escrita nos diferencia de milhares de outras espécies, é muito importante, para fortalecer os laços familiares e desenvolver as habilidades sociais, aprender a notar o outro a partir de um simples olhar ou gesto.

Reflita como isso pode implicar na clareza e qualidade da comunicação, tanto sua quanto das crianças que você convive. 

A importância da comunicação não verbal para crianças!

Logo, percebemos como os gestos e expressões são imprescindíveis para o desenvolvimento da comunicação infantil, com destaque para pontos como:

Se você já notou que a criança fica muito com as mãos para trás, com os braços cruzados, as pernas balançando freneticamente de um lado para o outro ou movimentando excessivamente os dedos, fique alerta. Esses são alguns dos “sintomas” que indicam que a criança deve praticar atividades que estimulam a comunicação não verbal e a perda da timidez. 

Separamos uma atividade 100% prática capaz de treinar gestos e expressões inseridos na comunicação não verbal infantil.

#Treino2: Mimicando

INDICAÇÕES 

Idade: Livre;

Material: Papel A4, caneta ou lápis colorido; 

Tempo: 2 minutos para cada dramatização (ou o tempo necessário até que alguém acerte qual sentimento está sendo apresentado. 

Convide todos de casa para se reunirem na sala. Usando papel A4 escreva o nomes dos principais sentimentos que percebem mais presentes em suas vidas, por exemplo: Alegria, ansiedade, tristeza, curiosidade, etc. Atenção para não evidenciar possíveis polêmicas, por exemplo comentários que julguem algum familiar.

Quando tiverem escrito pelo menos dois ou três sentimentos para cada participante interpretar, misture os papeis virados, e cada pessoa irá à frente, sorteará um, e precisará demonstrar somente através de gestos e expressões, qual o sentimento correspondente ao papel.

Isso mesmo, não vale fazer ruídos e você pode até usar durante a dinâmica uma música de fundo, instrumental para aumentar o nível de dificuldade e desafiar a atenção da leitura corporal feita pela plateia. Cada um terá a chance de demonstrar com mímica e ainda acertar mais rápido qual sentimento foi demonstrado. Cada participante refletirá como os sentimentos impactam em seu corpo e nas percepções das pessoas ao redor. A rodada termina depois que todos os participantes se apresentarem e o vencedor será aquele que houver pontuado mais!

Como a oratória pode potencializar o desenvolvimento infantil?

Seja você pai, mãe, irmão, irmã, tio, tia, avô ou avó, é seu papel treinar e moldar as crianças ao seu redor para uma trajetória de sucesso, independentemente da área que ela escolha.

Segundo estudiosos da psicologia e pedagogia infantil, como é o caso de Jean Piaget, o estudo e desenvolvimento da linguagem é importante não somente para a oratória, mas para a própria compreensão de elementos abstratos, como justiça, lealdade, amizade e amor, que não possuem necessariamente uma figura concreta, como “mesa” ou “caneta”, por exemplo.

Assim como nos cursos de teatro, a prática da oratória fornece meios para que cada pessoa desenvolva sua expressão pessoal, bem como a oralidade e a habilidade para a transmissão de ideias. 

Se tratando do universo infantil, existem muitas possibilidades e caminhos, principalmente quando falamos em aprendizagem. Entre os principais benefícios da prática de oratória nessa fase, estão:

É por isso que os cursos de oratória andam lado a lado ao desenvolvimento infantil. Além de uma habilidade crucial para profissionais já inseridos no mercado, ela é a chave para a formação daqueles que serão e farão o futuro.

Entre em contato com a unidade da Vox2you mais próxima de você para conhecer mais sobre nossos cursos.

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